15.10.09

Show no sábado, 17 de outubro

SHOW COM AS BANDAS NORMAN BATES, ATAQUE FANTASMA E O MEIO DO MUNDO + DJ ADRIANO MELO.

DIA 17 DE OUTUBRO DE 2009

LOCAL: CAVERNA CLUB (antigo Liverpool) -14 DE ABRIL ENTRE JOSÉ MALCHER E MAGALHÃES BARATA.

HORÁRIO: 22 horas

INGRESSOS: 10 REAIS (NO LOCAL)


NA COMPRA DE 1 INGRESSO + 5 REAIS LEVE O NOVO CD DO ATAQUE FANTASMA
Para entrar em contato com a banda O Meio do Mundo, envie e-mail para contato@omeiodomundo.com.br
Torne-se nosso amigo no MySpace! www.myspace.com/omeiodomundo
Vemos vocês lá!

3.10.09

Estréia


Neste sábado, 3 de outubro, é a estréia dO Meio do Mundo nos palcos, no Café com Arte.
O evento tem também as apresentações das bandas Supernova e Foo by One.
Vamos ver como será.

Em breve, teremos músicas disponíveis para downloads. Sete estão gravadas e, atualmente, passam por processo de mixagem.

Os vídeos do show desta noite devem entrar no youtube ainda nesta semana.

Aguardamos seus comentários e mensagens.


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Dêem um pulo também na nossa recém-criada página no myspace (www.myspace.com/omeiodomundo). Lá que disponibilizaremos as músicas.


Sejam felizes!

3.4.09

PELO QUE RESTA


Da última vez só faltou festa
Quando você, empolgada, quis pasta
Se não fosse alguém dizer “basta!”
Talvez não estivesses mais nesta

Quem alinha o cheiro e acha que despista
Não faz idéia do quanto isso custa
Financia o próprio desgaste
E comemora em fotos de revista

Os pobres com uma vida de bosta
É isso que deixa mais triste
O tráfico monta nas nossas costas
Não seriam os novos nazistas?

Por uma sociedade justa
Numa visão realista
Você, que só usa na sexta,
Atravesse pra outra pista
Quer causa? Abrace esta
Pegue a camisa e vista
Deixe de ser besta
Que a vida nunca desiste
De viver

2.1.09

Ilhéus


Gostoso
é o pão-de-batata
da perna de um presunto

Eu já esqueci o vício,
amanhã

Vem cá
que é bom
viver
feliz

Mas assim,
eu não quis
nascer

Bom dia
pra você!

Litorais, Marajós
Ancestrais ilhéus eram pessoas sós
como nós
e faziam do peito, jangada
Davam o bote no tempo predador

Pra lá tem mais de um país
com casas nascendo
O telhado já passou do chão

É muito tarde pra esperar a noite
de madrugada já é amanhã

27.12.08

Remedieval


O que é do Pai

ninguém verá

Abençoai

este lugar


Se é a ira de Deus que está no trovão

no caminho pro inferno o raio toca o chão

e perfura aqueles que lhe dizem não

como pregam os justos que temem o fim

do seu

céu

tão longe do alto

aqui

sobre um cemitério de corpos que têm de morrer

pra ficar tudo assim

como está

26.12.08

Palavrinhas de Tom Zé


"Menina, amanhã de manhã, quando a gente acordar, quero te dizer que a felicidade vai desabar sobre os homens, vai desabar sobre os homens, vai desabar sobre os homens".

O Caule da Grama


O jardim daquela casa de madeira
é de cimento

O jardim daquela casa de madeira
é de cimento
Pátio
pra brincar
nas árvores
de aço
que levam luz
ao jogo
do computador

Os filhos crescem sentados
e na hora de ficar de pé
O mundo
muda
rápido
demais

É mais fácil ver um rosto de tela plana
baldear uma sopa de letrinhas
do que olhar
nos olhos
de cada
poro, pOro, pORo, PORO
da pele
que cheira
bem
BEM

Deixa a lenha de pé,
Cara-de-pau
Jogue no campo de grama verde,
Perna-de-pau
Não deixe a torcida te vaiar
no final

É mais fácil ver um rosto de tela plana
baldear uma sopa de letrinhas
do que olhar
nos olhos
de cada
poro, pOro, pORo, PORO
da pele
que cheira
bem
BEM

25.12.08

"o que importa é ouvir a voz que vem do coração"

Milton Nascimento / Fernando Brant

A Culpa


O que paralisa é, também, o que move
nada inverte a correnteza
no último leito em que a água escorre
Quem muito extraiu desse rio
só rema pra margem quando é iminente
a chegada da queda prevista na nascente

Se a casa, na beira, cai
a culpa é do esforço não ter existido
ao construir a base que sustenta a família
e senti-la, de novo, todos os dias

Quando tudo está em ruínas
quem sobra procura o que tinha
Há um ruído ao longe
um canto de sobrevivência
sob os escombros

Sem pressa não há perfeição
no intento de dar alento
ao uivo de dor
que enlouquece o tempo
e traz expressões de agonia
por medo de uma ação tardia

Toda vida vale, um momento
Toda a vida vale, um momento
Toda vida
Toda a vida
Mas qual será o momento
que faz valer a vida?

A Preguiça dos Anticorpos


Hoje eu "tô" com uma preguiça...

de viver


de respirar, deixar o coração bater

fecho os olhos pra não piscar

poupo os ossos pra não sentir

só os órgãos vão trabalhar


Antes da hora de ir

preciso me doar pra mim

pra que não doa tanto

e pra caber noutros planos

de ser...

de ser...

mais alguém



Onde é a maternidade dos amanhãs?

Se um deles nascer prematuro

a que horas vai começar?


Eu ajusto os ponteiros nO Meio do Mundo

Pra não perder nenhum segundo

quero ser o primeiro a chegar


Pra não perder

quero ser

um segundo

o primeiro

O Ente


Um ente que eu nunca vi ocupou meu lugar

e eu lutei pela paz de tanto amar

agora eu já não sei o que é paz

como a do colo dos pais


Sei que tem que ser diferente

mas quando é preciso mudar

de repente

dói


Saio pelos fundos

em outra condução

Novos rumos

imposta condição



Envio cartas pra casa ao lado

pois há algo que eu possa fazer pra mudar

ainda que a escrita nada diga a quem não quer ler

Você pode se mudar?

E você?

Pode se mudar?


Porque eu estou ao lado do ente

eu estou ao lado do ente

ao lado do ente

do ente

e dói

14.2.07

Toujours

Por André Coruja
dO Meio do Mundo

Que eu não inunde os oceanos
de sóis a esfumaçar
como se no mais belo dia
você se cansar pra sempre
enquanto não dormir

Que eu não queira quem more longe
pra perpetuar a cor do sangue dos meus pais
como se a flor mais rara
brotasse entre pedras
e desabrochasse à noite

Que eu não desvie do impossível amor
apavorado pela rima dor
como se a língua trouxesse consigo
o beijo só pra ser dito

10.2.07

ALVENAR

Por André Coruja
dO Meio do Mundo
do Alvenar

Ao vento
de mãos dadas
Velas estufadas
Peito arfante
da labuta
de alvenar

O telhado pra sol e chuva
Tijolos pra sustentar
Casa armada, itinerante,
pra todo chão a pisar

9.2.07

VÉSPERA

Por André Coruja
dO Meio do Mundo

Passeando na beira do mar
a gente pode cair fora do país
Pra quem não soube andar
pouco importa a invenção da roda
O corpo é o divisor de águas
de um depois que quer virar passado
Parece que é sempre vésperado melhor a fazer

8.2.07

A PERGUNTA DO BALDE

Por André Coruja
dO Meio do Mundo



Se eu tivesse fé
talvez o chão vestisse plumas
no pedaço a cair
talvez eu não usasse armadura
Se eu botasse um amor de Deus
nas palavras externas da boca,
em cada vírgula,
a fala não usaria pontuação
Iria direto, sem medo

Há muito eu não enxergo
o que não se vê
e perdi o corrimão, a bengala
A outra mão dada

Eu nunca vi a noite
e não disse silêncio
por não andar caminho

Ah, se eu guardasse no peito
uma escada pro céu
eu a usaria no poço
pra sair

28.1.07

Profissão de Fé

Por André Coruja
dO Meio do Mundo

É tolo dizer que só se aprende na escola
Vermelhas são as notas dez reais
se a gente só fizer o que os outros acham que precisa ser
Do lado de fora da sala de aula e de dentro do mundo,
a lousa é itinerante
e o giz cai na mão do vilão
Eu queria um desenho animado com um herói professor

28.12.06

Caramujo

Por André Coruja
dO Meio do Mundo

Perdi meus dentes num sorriso vão
por acreditar em ti
Não quero mais sair
da cerca que faço
o varal que me veste em casa
Mande lá, mãe-de-aluguel,
longe daqui,
porque eu não me perco mais
morando em mim

25.12.06

A personalidade e a parede

Por Leandro Bender
da Oca


Eu comparo a personalidade a uma parede. Primeiro, começa com uma idéia, depois é construída com muito cimento, tijolo encima de tijolo, cuidadosamente colocado para que não fique torto e tombe com qualquer empurrão.

Depois de erguida a parede espera-se secar e põe-se argamassa, deixa-se a superfície lisinha, sem nenhum defeito a olho nu. Tem quem prefira deixar com aquela superfície áspera que machuca quando nos encostamos nela, mas isso aí vem de cada um.

Depois de tudo pronto e bem feito é hora de escolher a cor: preto pra dar um ar de abafado, branco pra quem não quer arriscar a sair do tradicional, verde musgo pra quem quer um tom de nostalgia no lugar, laranja acrílico pra quem tem motivos pra ser feliz... Enfim, após escolhida, vem a pintura e lá esta a parede pronta, belíssima, inatingível e agora irá nos proteger de intrusos, ladrões, olhares não bem vindos.

Agora sim estamos seguros, temos a proteção da parede, mas basta uma martela um pouco mais forte que ela facilmente vem abaixo como um castelinho de areia (depende do material da parede). Tanto trabalho, tanto suor, tudo destruído com uma martelada e um pouco de força...

Tenho que arrumar mais tijolos. Alguém tem algum pra me dar?

23.12.06

Homens são todos iguais — dizem as mulheres. Calma! Valho-me do discurso não para gerar discussão. Longe de mim! Não quero questionar dogmas tão internalizados nas concepções femininas (talvez até predisposição genética). Venho, aqui, concordar com um preceito básico e assumir minha condição masculina, naturalmente machista.

Sei que parece que estou tentando ser o novo Chico Buarque com esses papos de quem entende e concorda com as mulheres. Pensando bem, não vai adiantar. Vou arrumar briga. Pois muito bem, preparem-se para ler mais um clichê de quem mija de pé: eu dirijo bem. Muito bem, por sinal.

Falo isso sem pudor, mesmo, e daí? As principais referências automotivas que tenho, depois de Ayrton Senna, são meus pais, claro. Desde criancinha, com meu velocípede, fui desenvolvendo um senso de direção bem arguto. Projetava mentalmente várias manobras como passar por baixo das pernas de adultos ou descer pequenos lances de escadas com minha “motoquinha”.

Que as autoridades não leiam (e, se lerem, não há denúncia. Ah! Quem se importa?), mas meu pai começou a me dar a direção do carro quando eu tinha uns 7, 8 anos. Quando finalmente alcancei, por baixo, o final dos pedais e, por cima, visibilidade boa do que havia a minha frente, aos 10, 11 anos, comecei a dirigir sozinho. Morava em Macapá, nos idos de 1995. Viajávamos todo fim-de-semana para o Aporema, município de Tartarugalzinho, a mais de 200 km da capital — permitam-me o momento de nostalgia — e eu já ia dirigindo boa parte do trajeto. Mamãe só não deixava onde sabia que havia polícia rodoviária e nos trechos não-asfaltados.
Pensando bem, agora, eu não dirigia quase nada do trajeto inteiro. Ah, mamãe me ludibriou. Enfim, deixa pra lá! Na época, aquilo já era o máximo pra mim.

Passados alguns anos desenvolvendo aquela percepção que só saca mesmo quem dirige e que não ensinam na auto-escola, tornei-me um tanto pródigo em minhas ações ao volante. E não estou falando de manobras radicais, cavalos-de-pau ou rachas. Apenas percepções de trânsito e de condução veicular que me ajudam cada vez mais a não entrar em certas enrascadas ou aproveitar do carro aquilo que ele pode oferecer. Neste tempo, eu cresci. Costumo dizer a mamãe, o que não é surpreendente, que ela está encolhendo à medida que nós crescemos. Bobagem, claro. Brincadeirinha com ela. Mas qual não é a minha gabolice ao ouvir dela mesma, filha e irmã de motoristas, que eu sou quem dirige melhor na família. Melhor que isso? Até vovô diz.

Sei que este texto parece carta de auto-promoção pra conseguir emprego em algum blindado de político com ar-condicionado e trajetos curtos de centro de cidade. Mas não é. Trata-se de uma análise pseudo-complexa acerca das relações humanas. Afirmo tais falas com o seguinte relato:

Nesta noite de 22 de dezembro, sexta-feira, minha irmã apresentou um auto de natal com várias outras pessoas. Nossos pais e eu fomos assisti-la como família orgulhosa que somos. Eu estava cansado e pulei logo para o banco de trás, na ida. Meu pai pegou a chave e mostrou possíveis pontos em que a marcha não deveria ter entrado. Ele é bom nisso. Nunca entra no tempo do motor. Fora o hábito que entristece o carro e do qual ele se vangloria por parecer um macete, de passar da terceira para a quinta. Ah! Pra provar que era ruim até o fim ele precisava estacionar mal. E não é que me surpreendeu com tamanha habilidade para não conseguir entrar numa vaga?

Para quem pensa que somos uma família legal que não dá palpites na direção alheia, engana-se. Estes minutos engraçados foram recheados de reclamações de minha mãe. Ao chegarmos, ele foi peremptório: “Não dirijo mais!”.

Assistimos o auto de natal. Foi muito bonito. Maninha e colegas fizeram um trabalho primoroso, de belíssimo gosto. Um roteiro muito divertido que não vou contar aqui. Por que não foram assistir?

Ao voltarmos, mamãe assumiu as chaves, disparou o alarme que destranca as portas e entrou toda boçal enquanto meu pai perguntava por mim (suponho que intuía que eu dirigisse). Achei ótimo. Não queria dirigir mesmo.

Mamãe provou, no caminho de volta, o quanto desaprendeu desde que eu a assistia dirigir, ainda pequeno. Agora penso no fato de que, àquela época, eu não enxergava nada que não fosse o próprio carro e o céu. E o balançar dos carros é como um balanço de berços para os pequenos, não é verdade? O ruído da aceleração é como musiquinha de ninar.

Naturalmente, como todo casamento longevo (o que é bom!), um tira sarro do outro. E meu pai não perdeu a oportunidade de salientar todas as barbeiragens de mamãe. As mais engraçadas foram parar sobre a ciclofaixa, dobrar na parte errada do retorno e seguir em frente, na rua de casa, pela esquerda. Em via de mão-dupla, pensava eu que ela se contagiava por alguma influência britânica. Coisas de “lady” que já não quer mais dirigir. Enfim, chegar em casa foi um alívio.

E agora, com as férias de fim de ano da Universidade, Maninha freqüenta a auto-escola, faz os exames do DETRAN, ou seja, está tirando a sua habilitação. Torço para que ela não sofra a influência genética ou adquira, hereditariamente, os comportamentos relacionados à maneira de agir de nossos pais com seus sensos de direção e de compreensão do rendimento do motor. Pela lógica, não haverá surpresa se tivermos que desembolsar quilos de taxas do exame de trânsito. Mas acredito nela. Espero que tudo aconteça normalmente e tenhamos uma exímia motorista na família.

Precisamos desta nova motorista. Quantas madrugadas eu já não tive que irromper, incomodando o silêncio habitual, para buscá-la em festas, em casas de amigas, solenidades, enfim, um sem-número de situações que também vivencio e que não dão o mínimo de vontade de voltar pra casa dirigindo — não! Antes que pensem, eu não bebo —. Logo, logo, poderei pedir a ela que o faço por mim. Ah! Como eu espero...

Se é pela preguiça? Antes fosse. Meu medo mesmo é que ela dirija mal. Se assim for, terei todos os motivos pra crer no que mais temo, no mais óbvio: sou adotado.

20.12.06

Eco à Dor

Um grito de dor
na floresta ecoa
até se perder em várzeas
em vozes vazias
de visagens que se vão
Quem ouviu?

Debaixo das folhas desse telhado,
a casa é nossa.

De uma ponta a outra
a gente pode apontar pro futuro
Sim! Atirar no escuro
sem temer
ou disfarçar
porque o eco leva o som pra longe
pra longe, pra bem longe...

E, se um grito de dor ecoar,
vai ser tão depois
que, na hora em que a ajuda chegar,
a dor já se foi.